Brasil

Taxa da maquininha: quanto custa no débito, no crédito e no Pix, e quanto tira da sua margem

Nas tabelas públicas das maquininhas em outubro de 2026, quem recebe na hora ou em 1 dia útil paga de 0,75% a 2,39% no débito, de 2,69% a 4,99% no crédito à vista e de 8,99% a 22,59% no crédito parcelado em 12x sem juros; o Pix na maquininha sai de graça em algumas empresas, por 0,49% em outras, e o PagBank avisa que pode cobrar até 1,89%. Quem aceita esperar 30 dias pelo crédito paga menos, e credenciadoras como a Stone definem as condições no contrato. A taxa é cobrada sobre o valor da venda, mas quem paga é a margem: num produto de R$ 200,00 que custou R$ 120,00, o crédito à vista a 3,02% leva R$ 6,04, ou 7,6% dos R$ 80,00 de margem.

A seguir, com os mesmos números do começo ao fim: quanto custa cada forma de pagamento, quanto isso dá no mês, por que o dinheiro que cai na conta é menor que o total do caixa, se dá para repassar a taxa ao cliente e o que muda com imposto e nota fiscal.

Quanto custa cada forma de pagamento?

A tabela reúne o que as empresas publicam nos próprios sites em outubro de 2026, nos planos em que o dinheiro cai na hora (Mercado Pago, PagBank) ou em 1 dia útil (InfinitePay). Quase todas baixam a taxa conforme quanto você vende no mês e cobram mais caro para receber antes; confira a sua faixa no app da maquininha antes de comparar.

Forma de pagamentoTaxa para o lojistaObservações
Dinheiro0Sem custo de recebimento
Pix na maquininha ou no QR CodeDe 0% a 0,49% nas tabelas públicasGrátis na InfinitePay; 0,49% no Mercado Pago. O PagBank avisa que pode cobrar até 1,89%. Pix recebido na conta da empresa no banco pode ter tarifa: veja a nota abaixo
Cartão de débitoDe 0,75% a 2,39%Mercado Pago de 1,14% a 1,69%, conforme o faturamento; PagBank 1,44% (plano Super Max) ou 2,39% (Essencial); InfinitePay de 0,75% a 1,37%, recebendo em 1 dia útil
Crédito à vistaDe 2,69% a 4,99%Mercado Pago de 2,81% a 3,86%; PagBank 3,49% ou 4,99%; InfinitePay de 2,69% a 3,15%
Crédito parcelado sem jurosSobe a cada parcela; em 12x, de 8,99% a 22,59%Quem paga o parcelamento é a loja. Mercado Pago de 11,42% a 20,39% em 12x; PagBank 13,78% ou 22,59%; InfinitePay de 8,99% a 12,40%
Vale-refeição e vale-alimentaçãoNo máximo 3,6%Teto definido pelo Decreto 12.712/2025 para os arranjos do PAT, sem outras tarifas por cima
Maquininha com contrato negociado (ex.: Stone)Depende do contratoA Stone personaliza as condições pelo faturamento informado na contratação; se ele mudar muito, pode reajustar a taxa e aplicar multa

Pagamento por aproximação com Apple Pay, Google Pay ou relógio entra como débito ou crédito, com a taxa do cartão. Bandeiras como Elo, Amex e Hipercard podem custar mais: na InfinitePay, o débito Elo ou Amex sai por 1,88% na faixa em que Visa e Mastercard pagam 0,75%.

Desconfie da taxa de entrada. O PagBank anuncia 0,58% no débito e no crédito, e o Mercado Pago, 0,74%, mas essas taxas promocionais valem só nos primeiros 30 dias ou até a loja vender R$ 5.000,00, o que vier primeiro. Depois disso vale a tabela normal, que é a que entra nas contas deste guia.

Esperar pelo dinheiro do crédito também baixa a taxa. Na InfinitePay, para quem vende mais de R$ 20 mil por mês, o plano sem antecipação cobra de 1,62% a 2,22% no crédito à vista e de 2,25% a 2,75% no parcelado, mas o crédito à vista só cai a partir de 30 dias e o parcelado, no prazo de cada parcela.

Pix na conta bancária da empresa: a Resolução BCB nº 19/2020 permite que o banco cobre tarifa de pessoa jurídica para enviar e receber Pix. MEI e empresário individual têm o tratamento de pessoa física, mas mesmo assim podem pagar tarifa ao receber um Pix de venda. O Banco Central não fixa valor; veja a tabela de tarifas do seu banco.

A taxa sai da margem, não do faturamento

Como a taxa é um percentual da venda, ela parece pequena: 1% aqui, 3% ali. Mas o que sobra para a loja é a margem, o preço menos o custo da mercadoria, e é dessa margem que a taxa sai.

Pegue um produto vendido por R$ 200,00 que custou R$ 120,00. A margem é de R$ 80,00. As taxas abaixo são as da tabela do Mercado Pago Point, que anuncia o dinheiro na hora, para quem vende de R$ 10 mil a R$ 20 mil por mês:

Valores em reais. Taxas da tabela pública do Mercado Pago Point (faixa de R$ 10 mil a R$ 20 mil por mês), consultada em outubro de 2026. “Sobra” é antes de aluguel, salários e outras despesas; não é lucro líquido.
DinheiroPix 0,49%Débito 1,22%Crédito à vista 3,02%Crédito 3x 8,19%
Cliente paga200,00200,00200,00200,00200,00
Taxa00,982,446,0416,38
Cai na conta200,00199,02197,56193,96183,62
Sobra depois do custo e da taxa80,0079,0277,5673,9663,62
Parte da margem que vai para a taxa0%1,2%3,1%7,6%20,5%

Essa última linha sai de uma conta só: parte da margem que vai para a taxa = taxa ÷ margem percentual. No exemplo, a margem é de 80 ÷ 200 = 40%, então o crédito à vista leva 3,02% ÷ 40% ≈ 7,6% da margem. Quanto menor a margem, maior o estrago da mesma taxa:

Cada célula mostra a parte da margem que vai para a taxa.
MargemTaxa 0,49%Taxa 1,22%Taxa 3,02%Taxa 8,19%
20%2,5%6,1%15,1%41%
30%1,6%4,1%10,1%27,3%
40%1,2%3,1%7,6%20,5%
50%1%2,4%6%16,4%
60%0,8%2%5%13,7%

O parcelado sem juros é onde a conta mais pesa. Em 3x, a loja com margem de 40% entrega um quinto da margem para a maquininha; em 12x, a mesma tabela cobra 11,73%, quase 30% da margem. Com margem perto de 20%, até o crédito à vista já leva 15% do que a loja ganha em cada venda.

Quanto a loja paga de taxa no mês?

A taxa do mês não é o faturamento inteiro vezes uma taxa só. Cada forma de pagamento tem a sua, e o dinheiro em espécie não paga nada. Imagine uma loja que recebe R$ 20.000,00 por mês na maquininha:

Valores em reais, com as mesmas taxas do exemplo anterior. R$ 20 mil é o limite da faixa; um pouco acima disso, o Mercado Pago aplica a faixa seguinte, um pouco mais barata.
Forma de pagamentoVendas no mêsTaxaCusto
Pix8.000,000,49%39,20
Débito5.000,001,22%61,00
Crédito à vista5.000,003,02%151,00
Crédito em 3x2.000,008,19%163,80
Total20.000,00415,00

São R$ 415,00 por mês, quase R$ 5 mil por ano, ou 2,08% do que passou pela maquininha. Repare que o parcelado responde por 10% das vendas e por quase 40% do custo. Troque os valores e as taxas pelos da sua loja para chegar ao seu número.

No Mercado Pago, a faixa muda todo mês: no dia 1º, a taxa é recalculada com base no que você vendeu no mês anterior. Um mês fraco pode jogar a loja numa faixa mais cara no mês seguinte.

Por que cai menos dinheiro na conta do que o total do caixa?

A maquininha repassa o valor da venda já sem a taxa. O caixa registra o que o cliente pagou, então a diferença entre os dois é normal: é a taxa. Na contabilidade, lance a venda pelo valor cheio e a taxa como despesa, para que o faturamento não pareça menor quando o cliente troca o dinheiro pelo cartão.

  • Prazo: na InfinitePay, por exemplo, quem não antecipa recebe o débito em 1 dia útil, o crédito a partir de 30 dias e o parcelado no prazo de cada parcela. Receber antes tem preço: no plano inicial da mesma empresa, o crédito à vista custa 3,15% recebendo em 1 dia útil e 5,49% recebendo na hora. Na Stone, a taxa de antecipação acompanha a Selic.
  • O Pix cai na hora, a qualquer dia e horário. Vale-refeição e vale-alimentação devem ser repassados em até 15 dias corridos, pela regra do Decreto 12.712/2025, que deu 90 dias, a partir de novembro de 2025, para as empresas se adaptarem ao prazo e ao teto de 3,6%.
  • No fechamento do mês, separe o que já caiu do que ainda vai cair. As vendas no crédito das últimas semanas costumam estar a caminho.
  • Estorno: o Mercado Pago explica que o estorno não gera nova taxa, mas a taxa da venda original geralmente não volta para o lojista. As outras empresas não publicam uma regra clara; pergunte antes de contratar e confira o extrato depois de cada estorno.

Posso cobrar a taxa da maquininha do cliente?

A lei deixa cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento, mas os Procons não concordam sobre como fazer isso. A Lei 13.455/2017 autoriza a diferenciação de preço pelo prazo ou pelo meio de pagamento e anula a cláusula de bandeira ou maquininha que a proíba. A mesma lei incluiu na Lei 10.962/2004 a obrigação de informar, em local e formato visíveis ao consumidor, os descontos oferecidos por forma ou prazo de pagamento.

O Procon de Goiás entende que a loja pode ter preços diferentes à vista e no cartão, desde que divulgados antes da compra. O Procon de Santa Catarina, numa orientação de outubro de 2026, diz o contrário: a diferença só vale como desconto sobre o preço anunciado, nunca como acréscimo; uma camiseta anunciada a R$ 50,00 custa R$ 50,00 no crédito, no débito e no Pix, e pode sair por R$ 45,00 à vista. O mesmo Procon considera ilegal exigir valor mínimo para pagar com cartão. Como a orientação muda de estado para estado, o caminho mais seguro, aceito tanto pelo Procon-SC quanto pelo Procon-GO, é anunciar o preço cheio e dar desconto visível no Pix e no dinheiro.

Outro caminho permitido é o parcelado com juros, em que o cliente paga o acréscimo das parcelas. E a forma mais simples de cobrir a taxa é colocá-la no preço: na loja do exemplo, as taxas somam 2,08% do que passa pela maquininha; se quase todas as vendas forem por cartão ou Pix, um reajuste de cerca de 2,1% nos preços paga a conta.

A taxa da maquininha tem imposto? Dá para abater?

O imposto da loja incide sobre o valor cheio da venda, não sobre o que caiu na conta. No Simples Nacional, a receita bruta é o produto da venda, e só ficam de fora as vendas canceladas e os descontos incondicionais (Lei Complementar 123, art. 3º, § 1º). Para PIS e Cofins, o STF decidiu no Tema 1.024 que os valores retidos pelas administradoras de cartão entram na base de cálculo. A taxa é uma despesa da loja, não um desconto no faturamento.

Também não há crédito a recuperar para o pequeno lojista. Empresas do Simples Nacional não aproveitam créditos dos tributos que recolhem pelo Simples (Lei Complementar 123, art. 23). Com a reforma tributária, a Lei Complementar 214/2025 coloca a taxa da maquininha no campo do IBS e da CBS (art. 214), mas o crédito desses tributos fica com a loja que está no regime regular (art. 218). Para o MEI e para quem recolhe tudo pelo Simples Nacional, a taxa continua sendo custo cheio.

Preciso emitir nota fiscal em cada venda?

Microempresa e empresa de pequeno porte do Simples Nacional são obrigadas a emitir documento fiscal nas vendas (Lei Complementar 123, art. 26). No varejo, isso costuma ser a NFC-e, seguindo as regras da Sefaz do seu estado. Em São Paulo, a emissão do CF-e-SAT está proibida desde 1º de janeiro de 2026, e a Sefaz-SP trata a mudança como a transição do SAT para a NFC-e.

O MEI tem regra própria: emite nota quando vende para outra empresa (CNPJ) e está dispensado na venda ao consumidor final. O Decreto 13.140, de 21 de outubro de 2026, prevê que o MEI use a declaração anual (DASN-SIMEI) como documento fiscal nas vendas a pessoas físicas, mas a aplicação ainda depende de deliberação do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). Confirme com o seu contador como isso fica no seu caso.

Vale a pena aceitar crédito ou oferecer parcelado? Faça a conta do ponto de equilíbrio

O Pix já é o meio de pagamento que os brasileiros mais usam: 46,1% o apontaram como o mais frequente na pesquisa de 2024 do Banco Central, à frente do dinheiro em espécie. Com taxa de 0% a 0,49% na maioria das tabelas, aceitar Pix quase não pesa. A dúvida de verdade está no crédito e, principalmente, no parcelado sem juros.

O custo é a taxa; o ganho são as vendas que só acontecem porque a loja aceita aquela forma de pagamento. A conta que empata as duas coisas é a mesma de antes: parte das vendas nessa forma de pagamento que precisa ser venda nova = taxa ÷ margem percentual.

Com margem de 40% e crédito à vista a 3,02%, cada R$ 1.000,00 vendidos no crédito pagam R$ 30,20 de taxa. Se pelo menos R$ 75,50 desses R$ 1.000,00 (7,55%) forem de clientes que não comprariam sem cartão, a margem dessas vendas paga a taxa. No parcelado em 3x a 8,19%, a taxa sobe para R$ 81,90, e a venda nova precisa chegar a R$ 204,75 (20,5%) de cada R$ 1.000,00.

Se o cliente que parcela pagaria à vista de qualquer jeito, a taxa é custo puro. A pergunta a fazer é quantos clientes deixariam de comprar sem o parcelado: num produto caro, podem ser muitos; num produto barato, provavelmente poucos. Quando a conta não fecha, o parcelado com juros passa o custo das parcelas para o cliente.

Como saber quanto a sua loja paga de verdade?

O número certo está no extrato da maquininha: o app de cada empresa mostra a taxa descontada em cada venda. Some as taxas do mês e divida pelo valor vendido em cada forma de pagamento (débito, crédito à vista, cada número de parcelas e Pix). Esse é o seu custo real, e a comparação mês a mês mostra se a faixa mudou.

Se você já vende pelo iPad, o PDV pode fazer a conta. No DingPOS, em Ajustes → Formas de pagamento, toque em uma forma de pagamento e preencha Taxa de processamento: uma porcentagem, um valor fixo por transação ou os dois. Como no Brasil a taxa muda com o número de parcelas, vale criar uma forma de pagamento para cada modalidade que você usa, como Crédito à vista e Crédito 3x. No Resumo, o cartão Formas de pagamento mostra a taxa e o líquido estimados de cada forma e do período inteiro. Se a sua maquininha não devolve a taxa no estorno, como acontece em geral no Mercado Pago, desative “Percentual da taxa devolvido em reembolsos” para a estimativa não ficar abaixo do real. O DingPOS não processa pagamentos nem lê o extrato da maquininha: os valores são estimativas feitas com a taxa que você informou, e o valor real é o do extrato. Ele também não emite NFC-e; continue emitindo as notas no seu emissor e use o DingPOS ao lado dele para registrar as formas de pagamento e estimar taxas e margem.

O passo a passo está em O DingPOS controla as taxas de cartão e de pagamento por celular?. O recurso faz parte do plano Standard ou superior; compare os planos em Planos e preços e experimente antes com o teste grátis de 30 dias.

Última verificação: 2026-10-25